21.7 C
Palmas
quinta-feira,9 abril,2026
Início cidades Quando devo me preocupar com o comportamento do meu filho?

Quando devo me preocupar com o comportamento do meu filho?

0
2

Muitos pais se fazem essa pergunta em silêncio. Afinal, é comum surgirem dúvidas como: “Será que é só uma fase?” ou “Estou exagerando?”. A verdade é que nem sempre é fácil diferenciar comportamentos esperados do desenvolvimento infantil de sinais que merecem mais atenção.
Crianças expressam o que sentem de formas diferentes dos adultos. Muitas vezes, aquilo que parece “birra”, “teimosia” ou “desobediência” pode ser, na verdade, uma forma de comunicar emoções que ainda não conseguem nomear, como ansiedade, insegurança, tristeza ou frustração.
Alguns sinais merecem um olhar mais cuidadoso como dificuldades persistentes na escola, mudanças bruscas de comportamento, irritabilidade frequente, isolamento, medos intensos, dificuldade para dormir ou para se concentrar. Também é importante observar quando a criança demonstra sofrimento diante de situações do dia a dia ou quando há impacto nas relações familiares e sociais.
De acordo com a literatura contemporânea da psicologia do desenvolvimento, o comportamento infantil deve ser compreendido a partir de uma perspectiva multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, emocionais e ambientais. Estudos recentes apontam que alterações persistentes no comportamento, humor ou desempenho escolar podem indicar a necessidade de avaliação psicológica, especialmente quando associadas a prejuízos funcionais (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2022; PAPALIA; FELDMAN, 2013).
Além disso, evidências científicas demonstram que intervenções psicológicas precoces favorecem o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, contribuindo para melhor adaptação da criança em diferentes contextos e prevenindo o agravamento de dificuldades ao longo do desenvolvimento (FELDMAN, 2020; BEE; BOYD, 2011).
Outro ponto importante é lembrar que cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. No entanto, quando algo começa a gerar preocupação constante nos pais ou prejuízos no bem-estar da criança, buscar orientação profissional pode fazer toda a diferença.
Procurar um psicólogo não significa que os pais falharam, pelo contrário, é um ato de cuidado e responsabilidade. A escuta especializada ajuda a compreender o que está por trás dos comportamentos e a encontrar caminhos mais saudáveis para o desenvolvimento emocional da criança.
Quanto antes esse olhar atento acontece, maiores são as chances de promover mudanças positivas e prevenir dificuldades futuras.
Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento ou comportamento do seu filho, não ignore sua intuição. Cuidar da saúde emocional na infância é investir em um futuro mais equilibrado e saudável.
Cuidar é também saber quando pedir ajuda.

Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2022.
BEE, H.; BOYD, D. A criança em desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
FELDMAN, R. S. Desenvolvimento humano. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.

Alessandra Procópio Moreira
Neuropsicóloga CRP 08/41553
Especialista em Avaliação psicológica/neuropsicológica e
transtornos do Neurodesenvolvimento