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quinta-feira,19 fevereiro,2026
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Quem é Tatiana Sampaio, a pesquisadora que desenvolveu a polilaminina para recuperação de paraplégicos e tetraplégicos

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Pesquisadora da UFRJ desenvolve tecnologia inédita que pode estimular regeneração neural após lesões medulares graves

A bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio alcançou um marco histórico em janeiro de 2026, quando a Anvisa autorizou os primeiros ensaios clínicos em humanos com a polilaminina. A substância, desenvolvida ao longo de décadas de pesquisa, é apontada como uma alternativa promissora para estimular a regeneração neural em casos de lesão medular grave. O avanço abre caminho para testar, em ambiente regulado, a segurança e a eficácia da tecnologia que já apresentou resultados animadores em estudos experimentais.

Professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio lidera o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular desde o início dos anos 2000. Sua trajetória acadêmica está profundamente ligada ao estudo da biologia celular e regenerativa. A cientista ganhou reconhecimento internacional ao identificar uma forma polimerizada da proteína laminina, capaz de atuar como estrutura de suporte para a reconstrução de tecidos nervosos lesionados, recuperando movimento de paraplégicos e tetraplégicos.

Formada em Biologia, com especialização voltada à biologia celular e molecular da matriz extracelular, a pesquisadora dedicou sua carreira a entender como o ambiente ao redor das células influencia sua forma e função. Realizou estágios de pós-doutorado em imunoquímica na University of Illinois, nos Estados Unidos, e aprofundou pesquisas sobre inibidores de angiogênese na University of Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. As experiências internacionais ampliaram o alcance de suas investigações.

O interesse pela laminina surgiu ainda no fim dos anos 1990. Ao estudar proteínas estruturais presentes na matriz extracelular, Tatiana Sampaio identificou o potencial da polimerização dessa molécula. Dessa descoberta nasceu a polilaminina, descrita como uma malha orgânica capaz de orientar o crescimento celular e estimular a regeneração de axônios, estruturas responsáveis por conduzir impulsos entre o cérebro e o corpo.

Os primeiros testes em humanos
Os primeiros experimentos realizados com roedores e cães trouxeram indícios consistentes de recuperação motora após lesões graves na coluna. A aplicação direta da polilaminina no local da lesão mostrou capacidade de favorecer a reorganização das fibras nervosas. Em alguns casos, cães que haviam perdido movimentos voltaram a apresentar funções motoras relevantes depois do tratamento.

Os dados iniciais em humanos também chamaram atenção da comunidade científica. Relatos experimentais apontaram melhorias parciais e até totais de movimento em pacientes com lesões medulares severas. Apesar dos resultados encorajadores, a terapia ainda está em fase de investigação e precisa cumprir todas as etapas regulatórias antes de eventual disponibilização ampla.

O impacto potencial da polilaminina vai além dos laboratórios. Lesões que levam à paraplegia e à tetraplegia historicamente apresentam opções limitadas de recuperação. A possibilidade de restaurar funções motoras mobiliza pacientes, familiares e médicos que acompanham o avanço da pesquisa brasileira, considerada uma das frentes mais avançadas em regeneração neural no cenário global.

Ao longo dos anos, o projeto contou com financiamento de agências públicas como FAPERJ, CAPES e CNPq. O apoio foi decisivo para manter as pesquisas ativas, viabilizar infraestrutura laboratorial e formar equipes especializadas.

“Em nenhum lugar do mundo a ciência existe sem investimento público. Mesmo as grandes universidades privadas dependem do dinheiro público para financiar pesquisa”, ressaltou Tatiana Sampaio ao programa Conversas com Hildgard Angel da TV 247, destacando a importância do financiamento estatal para pesquisas como a que resultou na polilaminina.

Fonte: https://gazetaculturismo.com.br/
Por Pollyana Cicatelli