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quinta-feira,26 fevereiro,2026
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Remédio para colesterol: o que sabemos sobre riscos e benefícios

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O receio em relação às estatinas (classe de medicamentos para tratamento de colesterol e triglicérides altos) ainda é comum no consultório. Muito se fala sobre possíveis efeitos colaterais descritos em bulas, como alterações cognitivas, depressão, distúrbios do sono, lesão renal, disfunção sexual e doença hepática. Mas o que dizem os dados científicos mais robustos?

Um grande estudo avaliou 66 possíveis efeitos adversos não musculares associados às estatinas. Após análise estatística rigorosa, apenas quatro desfechos atingiram significância, com risco absoluto inferior a 0,2% ao ano. Os eventos identificados foram basicamente elevação discreta de transaminases, pequenas alterações urinárias — principalmente proteinúria leve —, edema e alterações laboratoriais hepáticas. Em geral, alterações leves e monitoráveis.

O efeito muscular é, de fato, o mais relatado pelos pacientes. Na prática clínica, mialgia pode ocorrer em 5% a 10% dos casos. No entanto, estudos duplo-cegos mostram que parte relevante desses sintomas está relacionada ao chamado efeito nocebo, quando a expectativa negativa contribui para a percepção do sintoma. Miopatia com elevação significativa de CPK é rara, ocorrendo em cerca de 1 a cada 1.000 a 10.000 pacientes por ano. Já a rabdomiólise é extremamente rara, estimada em aproximadamente 1 caso a cada 100.000 pacientes por ano.

Outro ponto frequentemente discutido é o risco de diabetes. As estatinas podem aumentar discretamente a incidência de diabetes tipo 2, especialmente em pessoas com fatores de risco metabólicos, como obesidade, pré-diabetes e síndrome metabólica. O aumento absoluto é pequeno: em torno de 1 caso adicional de diabetes para cada 1.000 pacientes tratados por ano, dependendo do perfil de risco individual.

Por outro lado, para cada caso extra de diabetes, múltiplos eventos cardiovasculares graves são prevenidos, incluindo infarto, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular. Esse balanço risco-benefício é central na decisão terapêutica.
As diretrizes da American College of Cardiology, da American Heart Association e da Sociedade Europeia de Cardiologia são consistentes ao afirmar que, na maioria dos pacientes com indicação formal, os benefícios cardiovasculares das estatinas superam amplamente os riscos.

Além disso, a maior parte dos sintomas musculares, quando ocorre, é leve, reversível e manejável com ajuste de dose, troca da medicação ou reintrodução gradual.

As estatinas seguem sendo uma das terapias mais eficazes na redução de infarto, AVC e mortalidade cardiovascular. A questão central não é apenas temer seus efeitos adversos, mas avaliar, de forma individualizada, quem realmente precisa utilizá-las — e quem, por receio infundado, pode estar deixando de se beneficiar de uma estratégia comprovadamente protetora para o coração.