O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) costuma se tornar mais evidente a partir da fase escolar, quando aumentam as exigências de atenção, organização e autocontrole. Entre os 6 e 14 anos, os sinais mais comuns envolvem dificuldades persistentes de concentração, desorganização, esquecimento frequente, além de comportamentos como inquietação, impulsividade e dificuldade em esperar ou respeitar turnos.
Crianças com TDAH frequentemente parecem não escutar quando são chamadas, cometem erros por descuido e apresentam dificuldade em concluir tarefas. Também podem perder objetos com frequência e ter prejuízos no rendimento escolar. Estudos recentes apontam que esses impactos não se restringem ao comportamento, mas afetam diretamente habilidades acadêmicas essenciais, como leitura, escrita, memória e funções executivas .
Do ponto de vista científico, o TDAH é compreendido como um transtorno do neurodesenvolvimento com base neurobiológica, envolvendo alterações em áreas cerebrais relacionadas ao controle da atenção e da impulsividade . Além disso, evidências atuais indicam que o transtorno é relativamente comum, com prevalência estimada em cerca de 7,6% das crianças e 5,6% dos adolescentes em nível global .
Pesquisas recentes também destacam que, quando não identificado e acompanhado, o TDAH pode trazer consequências ao longo do desenvolvimento, incluindo dificuldades acadêmicas persistentes, problemas nas relações sociais e maior risco de comportamentos impulsivos na adolescência . Outro dado relevante é que os sintomas tendem a persistir ao longo do tempo, podendo acompanhar o indivíduo até a vida adulta em grande parte dos caso.
Dessa forma, os sinais tornam-se motivo de atenção quando são frequentes, ocorrem em diferentes ambientes como casa e escola, além de causar prejuízos significativos. Nesses casos, a avaliação neuropsicológica é fundamental para compreender o funcionamento cognitivo e comportamental, contribuindo para um diagnóstico preciso e para a definição de estratégias de intervenção.
A identificação precoce permite intervenções mais eficazes e promove melhores condições de desenvolvimento. Mais do que um rótulo, compreender o TDAH é oferecer à criança e ao adolescente a oportunidade de desenvolver seu potencial com suporte adequado.
Referencial teórico: American Psychiatric Association (2014). DSM-5; Barkley, R. A. (2013); Rohde, L. A.; estudos recentes em neurodesenvolvimento e aprendizagem (2019–2025).
Alessandra Procópio Moreira
Neuropsicóloga CRP 08/41553
Especialista em Avaliação psicológica/neuropsicológica e
transtornos do Neurodesenvolvimento













