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quinta-feira,12 fevereiro,2026
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Coração e mente: a nova fronteira da saúde integrada

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Uma tendência crescente na cardiologia contemporânea é reconhecer que o coração não bate isolado das emoções. A chamada conexão coração-mente deixou de ser apenas um conceito subjetivo e passou a ocupar espaço nas diretrizes científicas. Ansiedade, depressão, estresse crônico e insônia não são apenas questões psicológicas: são fatores de risco cardiovascular independentes.

Estudos mostram que pessoas com depressão têm risco até duas vezes maior de desenvolver doença arterial coronariana. O estresse crônico eleva níveis de cortisol e adrenalina, favorecendo hipertensão, inflamação vascular e resistência à insulina. Já a ansiedade pode desencadear taquicardias, piorar quadros de arritmia e aumentar a percepção de dor torácica. Em casos extremos, eventos emocionais intensos podem precipitar a síndrome de Takotsubo, conhecida como “síndrome do coração partido”.

Por outro lado, pacientes cardiopatas apresentam maior prevalência de transtornos ansiosos e depressivos, especialmente após infarto ou diagnóstico de insuficiência cardíaca. Esse ciclo bidirecional impacta adesão ao tratamento, qualidade de vida e prognóstico.

A nova abordagem propõe cuidado integrado: avaliação emocional na consulta cardiológica, incentivo à psicoterapia, prática regular de atividade física, sono adequado e estratégias de manejo do estresse, como meditação e respiração guiada. Intervenções simples podem reduzir marcadores inflamatórios e melhorar variabilidade da frequência cardíaca, indicador importante de equilíbrio autonômico.

A saúde do século XXI exige olhar ampliado. Cuidar do colesterol e da pressão continua essencial, mas compreender o impacto das emoções sobre o sistema cardiovascular é um passo decisivo para prevenção mais eficaz. O coração sente. E a ciência confirma: tratar mente e coração juntos salva vidas.