Eleições limpas?

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Grande mentira vem minando, há décadas, o sistema político que se estava acostumado a ter. Acreditava-se que a democracia vigente melhoraria a vida, garantir direitos básicos e introduzi-los à sociedade justa, onde todos teriam as mesmas oportunidades. Isto não é verdade: desprezo por pessoas humildes, preconceito, inflação em 8,35% nos últimos 12 meses, PIB baixo, taxa de juro alta, milhões de desempregados e famintos, portanto, comprova-se que não há justiça social e ajuste econômico.
Para piorar a situação do Brasil, Bolsonaro se insurgiu contra a Constituição ao ameaçar de forma explícita a realização das eleições no ano que vem, afirmando que terá que ser do jeito que ele quer, ao qual ele almeja. Chantageia o país e instala a baderna. Tornou a dizer mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro e a ameaçar a Nação, dizendo: Sem voto impresso, algum lado pode não aceitar o resultado da eleição. Este lado, obviamente, é o nosso lado. Em 7 de janeiro, um dia depois do ataque ao Capitólio, Bolsonaro ameaçou: Se não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira para auditar o voto, nós vamos ter problema pior que o dos estados Unidos.
Bolsonaro espalha suspeitas falsas de fraude nas urnas eletrônicas há mais de um ano e avisa a quem quiser ouvir que está disposto a comandar um levante, se for derrotado nas próximas eleições. O presidente do TSE, Ministro Barroso, afirmou que agir para impedir eleições é crime de responsabilidade. O presidente do Congresso, Senador Pacheco, classificou como inimigo da nação aquele que patrocina retrocessos dessa natureza.
No caso da vacina Covaxin, ao ser pressionado por suspeitas de corrupção, Bolsonaro limitou-se a dizer que aquilo era um ‘rolo’ do Deputado Ricardo Barros. Acontece que é um rolo de seu governo: ele próprio escreveu ao primeiro-ministro da Índia manifestando interesse na vacina, o que não fez com nenhuma outra vacina. O que deprime é pensar nos tipos de defensores de Bolsonaro, pois se sabe que não são cidadãos que querem o fim da pilantragem. Tal gente aceita a morte dos mais pobres, a ditadura e a destruição da Amazônia. Os manifestantes a favor de Bolsonaro são fanáticos de classe média, contra a democracia, de forma militante e histérica.
Em 2021, corre-se o risco de normalizar a ideia de golpe contra a democracia graças à omissão, à conivência ou à militância de parte da elite, da classe média e de outros problemas da sociedade politicamente desorganizada. O risco de normalização da ideia do golpe ficou evidente na fraqueza da reação à ameaça de Bolsonaro contra a eleição de 2022 e dos militares contra o Senado. Há a questão dos militares: quem tem armas e dever constitucional de manter-se afastado da política não poderia, por óbvio, participar de governos.
Na prática, Bolsonaro já abandonou o território democrático e deu incansáveis mostras de que não respeita a alternância de poder. Não concebe a Presidência como exercício temporário do poder. Promove discórdia entre brasileiros e não admite o contraditório. O cineasta americano Spike Lee, que comanda o júri da 74ª edição do Festival de Cannes, chamou Bolsonaro de gângster durante a abertura da mostra do cinema. O fenômeno Bolsonaro mostra que há muito que evoluir, e se há incertezas no presente, cabe aos brasileiros apoiarem-se em referências que apontem ao futuro que desejam construir!

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