Ninguém quer saber da fome alheia

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Pesquisas de diversos órgãos demonstram que a classe C, renda entre R$ 1.926 a R$ 8.303, está sendo empurrada rapidamente de volta às classes D e E, indo à miséria por consequências da covid-19 e da desorganização do governo nas políticas de combate à pandemia, e rumos da economia (inflação e dólar altos, desemprego, desmantelamento das indústrias, saúde e educação caóticas). Milhões de brasileiros retrocedem a situações mais precárias e suas vidas continuarão piorando neste e no próximo ano, aumentando a desigualdade social brasileira e retardando a recuperação econômica. Milhões de brasileiros estão despencando da classe C para a miséria.
De acordo com a FGV Social, quase 32 milhões de pessoas deixaram a classe C desde agosto de 2020 em direção à vida pior. O auxílio emergencial foi mal calibrado, pagando R$ 600,00 em 2020, interrompido em dezembro de 2020, e só retornando em abril de 2021, com valor insuficiente, justamente quando a pandemia faz mais mortos. Registram-se mais de 400 mil mortos e a insensibilidade continua. Ninguém com condição econômica confortável quer saber de mortes, fome e miséria alheia. Não se vê mais humanidade.
O auxílio emergencial está pagando em média R$ 250,00, por quatro meses para 45,6 milhões de pessoas. Em 2020, pagou, por determinação do Congresso, R$ 600,00 (governo propôs R$ 200,00) para 67 milhões de brasileiros. O programa de ajuda de 2020 custou R$ 294 bilhões; em 2021, custará R$ 44 bilhões. Como o auxílio este ano está pagando valores mais baixos, beneficiando grupo mais reduzido da população, certamente estimulará o crescimento da pobreza e vários desastres como fome, atraso na educação e sérios problemas de saúde.
Segundo o Centro de Pesquisa Made da USP, 61 milhões de brasileiros estarão na pobreza neste ano. A população pobre em julho de 2020 era de 43 milhões. Atraso nas concessões do auxílio, redução do número de beneficiados, corte no valor, além do efeito perverso da pandemia na economia aumentam visivelmente a miséria nas cidades, principalmente nas grandes. O SERASA informou que existem 61,6 milhões de brasileiros inadimplentes. Segundo o jornal The New York, 20 de abril 2021, o número de brasileiros com fome é grande face do problema quando se constata que, quase a metade da população brasileira enfrenta a insegurança alimentar.
Fica-se pasmo com a inércia governamental em olhar para o lado social, humanitário e econômico. Por outro lado, Joe Biden obteve aprovação do Congresso de um plano de estímulo à economia americana de US$ 1,9 trilhão, dando alívio a famílias e empresas afetadas pela pandemia. O plano que inclui o pagamento de US$ 1,4 mil em ajudas diretas através de cheques às famílias com renda menor e recursos à vacinação foi aprovado sem nenhum voto republicano na Câmara, onde os democratas têm maioria. O pacote norte-americano propõe cuidar mais dos pobres, necessitados e desamparados. A maior economia capitalista pratica atos próprios da teoria socialista.
Então, vê-se o governo brasileiro de costas ao povo, abandonando os ideais da visão do Estado protegendo os necessitados, como estão fazendo os EUA. Lamentam-se milhões de pessoas insensíveis que parecem sentir prazer com pobreza, fome, miséria alheia e só conseguem apoiar alguém igual a ele, um desqualificado para cuidar de um país tão desigual como o Brasil. Esses perdidos saem às ruas gritando histericamente “Mito! Mito!”, enquanto centenas de milhares morrem em hospitais por falta de atendimento adequado, outras padecem nas ruas, nos barracos, em miséria absoluta, com fome e sem esperanças. Onde esses monstros estavam escondidos? Alguns moram conosco, nas nossas ruas, na nossa cidade e são perigosos. O homem da casa de vidro vai embora em 2022, e esses insensíveis estarão sempre por perto nos assombrando.

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