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quinta-feira,24 setembro,2026
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Por todas as Marias Fernandas

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Maria Fernanda Naiser Fragais saiu de Palmas para visitar a família em Curitiba, cidade onde vivo. Dias depois, foi encontrada morta. A investigação trata o caso como feminicídio. O suspeito preso já tinha registros de violência contra mulheres e um mandado de prisão em aberto por fatos ligados à Lei Maria da Penha.

A tragédia de Maria Fernanda não é um caso isolado. Ela acontece em um Paraná que ainda convive com números alarmantes de violência contra a mulher. E dói ainda mais quando olhamos para Palmas. O município chegou a registrar a 7ª maior taxa de ocorrências de violência contra a mulher entre os 399 municípios do Paraná: 254,77 registros por mil mulheres, segundo dados da SESP-PR. O estudo mais recente do TCE-PR voltou a colocar Palmas entre as áreas de maior concentração de estupros notificados no Estado.
E existe outro dado que precisa nos fazer agir: em 2025, o Paraná teve a maior taxa de registros de descumprimento de medidas protetivas de urgência do Brasil. Foram 23.220 registros, o equivalente a 195,3 ocorrências por 100 mil habitantes, mais de três vezes a taxa nacional.

Isso mostra que não basta conceder uma medida protetiva. É preciso garantir que ela seja respeitada e que a mulher esteja realmente protegida.

Maria Fernanda era amiga de Rodrigo João Pimenta. Tinha família, amigos, sonhos e uma vida inteira que não pode ser resumida a uma estatística.

Como mulher, mãe, esposa, jurista e ativista na prevenção e enfrentamento à violência contra a infância, contra as mulheres e contra os idosos, acredito que precisamos agir antes que outra família receba a pior notícia de sua vida.

Medida protetiva precisa proteger de verdade. Casos de maior risco precisam ser monitorados. Polícia, Justiça, saúde e assistência social precisam compartilhar informações e agir de forma integrada.

É por isso que defendo a criação de um Observatório Estadual da Violência contra a Mulher: para integrar dados, identificar situações de risco, acompanhar reincidências e transformar informação em prevenção e proteção.
Porque não basta agir depois da violência. Precisamos identificar o risco antes que ele termine em morte.
Nenhuma mulher pode depender da sorte para voltar para casa.

Lu Bonatto Ativista no enfrentamento à violência contra a infância, mulheres e idosos, jurista, presidente do Podemos Paraná e candidata a deputada estadual.