2026 promete ser um ano turbulento. Eleição presidencial, economia instável, reformas estruturais, calendário fragmentado. Em cenários assim, a reação padrão do empresariado é previsível: cortar marketing, reduzir time, adiar investimentos e “esperar o mercado melhorar”.
É compreensível. Mas quase sempre é um erro.
Historicamente, períodos de incerteza funcionam como um dia de chuva em uma corrida. A pista fica escorregadia, a visibilidade diminui e a maioria prefere diminuir a velocidade. O problema é que, quando todos freiam ao mesmo tempo, cria-se uma janela rara para quem decide manter — ou até aumentar — a aceleração.
Marketing não é custo variável de vaidade. É motor de crescimento. Quando empresas reduzem presença, frequência e investimento, elas cedem espaço mental ao concorrente. E espaço mental, uma vez perdido, custa caro para reconquistar.
Em ciclos de retração, há três movimentos típicos: queda na pressão publicitária, redução na disputa por atenção e maior sensibilidade do cliente a propostas de valor claras. Isso significa que o mesmo investimento pode gerar mais impacto relativo. O custo de mídia tende a ficar mais eficiente. O ruído diminui. A mensagem encontra menos barreiras.
Não se trata de imprudência. Trata-se de estratégia.
A pergunta correta não é “como cortar marketing?”, mas “como torná-lo mais inteligente?”. Rever canais, priorizar performance, ajustar narrativa, fortalecer marca e proteger margem. Cortar desperdícios é gestão. Cortar presença é miopia.
Empresas líderes entendem que market share se conquista em momentos de desconforto coletivo. Quando a maioria decide sobreviver, algumas decidem avançar.
Crises não criam líderes. Elas revelam quem estava disposto a agir quando os outros hesitam.













