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quinta-feira,3 setembro,2026
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Setembro Amarelo

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Quando a depressão pode esconder um diagnóstico de autismo na vida adulta

Setembro Amarelo é um período de reflexão sobre saúde mental, prevenção do suicídio e a importância de olhar com mais atenção para o sofrimento emocional. Entre os diversos desafios presentes na prática clínica, está a possibilidade de pessoas adultas receberem, durante anos, diagnósticos que explicam apenas parte de suas dificuldades.
Não é incomum que adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente aqueles que passaram grande parte da vida tentando se adaptar socialmente, procurem ajuda psicológica ou psiquiátrica devido à ansiedade, exaustão emocional, isolamento e sintomas depressivos. Embora essas condições possam estar realmente presentes, em alguns casos elas são consequências de uma trajetória marcada por sobrecarga, dificuldades sociais, sensação de inadequação e esforço constante para corresponder às expectativas do ambiente.
Isso não significa que toda depressão esconda um diagnóstico de autismo. A depressão é uma condição séria e precisa ser cuidadosamente avaliada. O ponto central é compreender que sintomas semelhantes podem ter origens diferentes e que uma avaliação clínica aprofundada é fundamental.
Muitos adultos autistas só recebem o diagnóstico tardiamente porque aprenderam, ao longo da vida, a mascarar suas dificuldades. Ao compreenderem melhor sua própria história e forma de funcionamento, podem encontrar novas possibilidades de cuidado, autoconhecimento e qualidade de vida.
Neste Setembro Amarelo, falar sobre saúde mental também é falar sobre escuta qualificada. Um diagnóstico preciso pode transformar a maneira como uma pessoa compreende seu sofrimento e, principalmente, ajudá-la a encontrar caminhos mais adequados para viver com maior bem-estar.

Alessandra Procópio Moreira Psicóloga e Neuropsicológa CRP 08/41553