15 mil brasileiros mortos na semana passada por covid-19

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Esta é a realidade: quase três mil mortos por dia e, o pior, médicos infectologistas projetam para o final de março e abril quatro mil mortes diárias. A crise da saúde pública deveria bastar e se buscar uma gestão séria. O Ministro da Saúde Gal. Pazuello entrou no governo quando havia 15 mil mortes pelo coronavírus, e saiu com 293 mil óbitos. Seu substituto, o cardiologista Queiroga, declarou que seguirá a cartilha de Pazuello, inclusive, elogiando seu trabalho. Não se pode esquecer: pessoas estão morrendo sufocadas.
Antes da definição de Queiroga, a cardiologista Ludhmila Hajjar concorreu ao cargo de ministra da Saúde. O caso dela foi interessante: ela entregou um texto ao Bolsonaro dizendo estar pronta para estar 100% alinhada com ele. Queria dizer que, apesar de pensamentos diferentes, dispunha-se a ser leal a Bolsonaro. Ele, na entrevista no Palácio do Planalto, perguntou qual era a opinião da médica sobre armas e aborto.
Bolsonaro estava acompanhado do filho Flávio, e comunicaram que sabiam de um áudio onde ela o chamava de psicopata. Ela negou e afirmou ser montagem. Então, Bolsonaro disse que seu sistema de inteligência informou que o áudio era dela, dando a entender de que a nomeação seria inviável. O nome de Ludhmila era defendido por ministros do Supremo Tribunal Federal, como Gilmar Mendes, por políticos do DEM, como o governador de Goiás Ronaldo Caiado, e pelo Presidente da Câmara Arthur Lira.
Ludhmila Hajjar afirmou que sua bandeira principal seria a da vacinação em massa. Seu histórico é de profissional competente. Estava tão disposta que, apesar da negativa de Bolsonaro, seguiu dizendo a integrantes do governo que deixava aberta a possibilidade de aceitar o convite. Pareceu excelente opção para dirigir o Ministério da Saúde, ainda mais apoiada pelo STF, governadores, Câmara e Senado.
O Ministro Queiroga, após muitos encontros com Pazuello, disse que visitará hospitais para verificar se as milhares mortes diárias são realmente devidas ao covid-19, como os milhões de médicos intensivistas estivessem mentindo. Por outro lado, Bolsonaro acionou o Supremo Tribunal Federal com ação de inconstitucionalidade para tentar derrubar decretos de restrição de locomoção de pessoas adotados pelos governadores do Distrito Federal, da Bahia e do Rio Grande do Sul para combater o coronavírus.
O Brasil precisa de um governo capaz de organizar a distribuição de UTIs, remédios para intubações, compra de vacinas, etc., que crie grupo que prepare planos para cuidar de sobreviventes com sequelas do coronavírus. É necessário convocar um comitê de cientistas que coordene pesquisadores dedicados a entender as novas variantes do vírus. Chega de pessoas agonizando sufocadas nas calçadas dos hospitais. A pandemia mostrou a importância do Estado para atuar em uma emergência, de maneira que os mercados sozinhos não teriam interesse em fazer.
É assustador que uma parcela da população se sinta representada por funcionários públicos eleitos que insuflam a sociedade contra si mesma. É repugnante como essa gente recorra à dissimulação e à mentira sem vergonha para, em seguida, retomar seus objetivos. Não se pode aceitar sabotadores de medidas de isolamento social e de uso de máscaras, repudiar vacinas e apostar na promoção de medicamentos sem eficácia.
A desigualdade aumentará, já que o país tem dificuldades para ajudar brasileiros com dificuldades e em estado de miséria. É frustrante acompanhar diariamente as milhares de mortes: eram amigos, pais, filhos, primos, tios, vizinhos, gente brasileira. Não se pode admitir que tantas perdas são naturais, e também não admitir líderes que sabotam cuidados, que se alicerçam à irracionalidade, ao negacionismo, à perversidade e à insensibilidade diante de 15 mil mortos por semana!

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