13.5 C
Palmas
quinta-feira,11 junho,2026
Início cidades Açúcar, telas e outros fatores que podem imitar o TDAH

Açúcar, telas e outros fatores que podem imitar o TDAH

0
4

Antes de se estabelecer um diagnóstico de TDAH, é fundamental que a criança seja avaliada de forma ampla e criteriosa. Diversos fatores ambientais, comportamentais e até mesmo biológicos podem produzir sintomas semelhantes aos observados no transtorno, levando a interpretações equivocadas quando não há uma investigação adequada.
Entre esses fatores, destacam-se o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar, o uso prolongado de telas e alterações relacionadas à saúde física e nutricional. O excesso de estímulos digitais, por exemplo, pode contribuir para dificuldades de concentração, irritabilidade, impulsividade e redução da tolerância à frustração. Da mesma forma, hábitos alimentares inadequados e privação de sono podem impactar significativamente a atenção e o comportamento infantil.
Além disso, condições médicas como anemia, deficiências vitamínicas, alterações hormonais, distúrbios do sono, ansiedade e dificuldades emocionais também podem manifestar sintomas que se assemelham ao TDAH. Por essa razão, a avaliação não deve se limitar à observação de comportamentos isolados, mas considerar o contexto global de desenvolvimento da criança.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com critérios diagnósticos bem estabelecidos, que exigem a presença persistente de sintomas em diferentes ambientes e prejuízos significativos no funcionamento diário. Portanto, antes de atribuir dificuldades de atenção ou agitação ao transtorno, é essencial investigar outros fatores que possam estar contribuindo para esses comportamentos.
Nesse contexto, destaca-se a importância de uma avaliação realizada por profissionais capacitados, que utilizem entrevistas clínicas, informações familiares e escolares, observação comportamental e instrumentos validados cientificamente. Um diagnóstico cuidadoso não apenas evita rotulações inadequadas, mas também garante que a criança receba a intervenção mais adequada às suas reais necessidades.

Referencial teórico:
Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
Faraone, S. V., et al. (2021). The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 Evidence-based conclusions about ADHD. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 128, 789-818.
Wolraich, M. L., et al. (2019). Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of ADHD in Children and Adolescents. Pediatrics, 144(4).

Alessandra Procópio Moreira
Neuropsicóloga
CRP 08/41553
Especialista em Avaliação psicológica/neuropsicológica e transtornos do Neurodesenvolvimento