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quinta-feira,11 junho,2026
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O que estou levando para casa após o Congresso da SOCESP?

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O cardiologista é muito mais do que o médico do coração.

Prevenimos infarto e AVC, mas também avaliamos obesidade, diabetes, gordura visceral, esteatose hepática, saúde mental, vacinação, qualidade do sono e hábitos de vida. O cuidado cardiovascular é integral e acompanha o paciente em todas as fases da vida.

A obesidade é uma doença hipotalâmica.

O hipotálamo regula fome, saciedade, gasto energético e temperatura corporal. Nosso organismo foi programado para sobreviver à escassez, não à abundância. Por isso, a obesidade não pode ser encarada apenas como falta de disciplina ou força de vontade, mas como uma doença crônica, complexa e multifatorial.

O tratamento da obesidade deve ser precoce e contínuo

Medicamentos como os agonistas de GLP-1 são ferramentas importantes no tratamento e não representam uma substituição da mudança de hábitos. Alimentação saudável, atividade física, sono adequado e saúde emocional continuam sendo pilares fundamentais.

Estamos vivendo uma revolução no tratamento do colesterol.

Além do LDL, hoje valorizamos marcadores como colesterol não-HDL e lipoproteína(a), que ajudam a identificar melhor o risco cardiovascular. Ao mesmo tempo, terapias inovadoras, incluindo edição gênica, já demonstram potencial para reduzir colesterol de forma duradoura e transformar a prevenção cardiovascular no futuro.

A saúde cardiovascular da mulher merece atenção especial.

Após a menopausa, o risco cardiovascular aumenta significativamente. A terapia de reposição hormonal pode trazer benefícios importantes quando bem indicada, mas deve ser avaliada de forma individualizada, considerando riscos, benefícios e características de cada paciente.

O sono é um dos pilares mais negligenciados da saúde.

A apneia do sono aumenta o risco de hipertensão, fibrilação atrial, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, diabetes e obesidade. O mais preocupante é 80% das pessoas não sabe que possui o problema. Ronco, cansaço excessivo e sono não reparador merecem atenção.

Espiritualidade também faz parte da prevenção.

Propósito de vida, conexões humanas, fé e espiritualidade estão associados a melhor qualidade de vida, maior adesão aos tratamentos e melhores desfechos cardiovasculares. Cuidar do coração vai além dos exames e medicamentos.

Vacinação é estratégia de longevidade.

A prevenção de infecções reduz hospitalizações, complicações e eventos cardiovasculares. Manter a carteira vacinal atualizada é uma medida simples, segura e eficaz para proteger a saúde.

Anabolizantes não são inofensivos.

O uso de doses suprafisiológicas pode causar hipertensão arterial, arritmias, trombose, infarto, insuficiência cardíaca e morte súbita. A aparência de saúde nem sempre reflete um coração saudável.

A prevenção cardiovascular começa na infância.

O infarto que acontece aos 50 anos muitas vezes começa décadas antes. Educação em saúde, incentivo à atividade física, alimentação saudável, controle do peso, do sono e da pressão arterial devem fazer parte do cuidado das crianças. Investir na saúde infantil é uma das estratégias mais poderosas para reduzir doenças cardiovasculares no futuro.

Saio deste congresso ainda mais convencida de que a medicina do futuro será cada vez mais preventiva, personalizada e humana. O melhor tratamento para as doenças cardiovasculares continua sendo evitar que elas aconteçam.