O cardiologista é muito mais do que o médico do coração.
Prevenimos infarto e AVC, mas também avaliamos obesidade, diabetes, gordura visceral, esteatose hepática, saúde mental, vacinação, qualidade do sono e hábitos de vida. O cuidado cardiovascular é integral e acompanha o paciente em todas as fases da vida.
A obesidade é uma doença hipotalâmica.
O hipotálamo regula fome, saciedade, gasto energético e temperatura corporal. Nosso organismo foi programado para sobreviver à escassez, não à abundância. Por isso, a obesidade não pode ser encarada apenas como falta de disciplina ou força de vontade, mas como uma doença crônica, complexa e multifatorial.
O tratamento da obesidade deve ser precoce e contínuo
Medicamentos como os agonistas de GLP-1 são ferramentas importantes no tratamento e não representam uma substituição da mudança de hábitos. Alimentação saudável, atividade física, sono adequado e saúde emocional continuam sendo pilares fundamentais.
Estamos vivendo uma revolução no tratamento do colesterol.
Além do LDL, hoje valorizamos marcadores como colesterol não-HDL e lipoproteína(a), que ajudam a identificar melhor o risco cardiovascular. Ao mesmo tempo, terapias inovadoras, incluindo edição gênica, já demonstram potencial para reduzir colesterol de forma duradoura e transformar a prevenção cardiovascular no futuro.
A saúde cardiovascular da mulher merece atenção especial.
Após a menopausa, o risco cardiovascular aumenta significativamente. A terapia de reposição hormonal pode trazer benefícios importantes quando bem indicada, mas deve ser avaliada de forma individualizada, considerando riscos, benefícios e características de cada paciente.
O sono é um dos pilares mais negligenciados da saúde.
A apneia do sono aumenta o risco de hipertensão, fibrilação atrial, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, diabetes e obesidade. O mais preocupante é 80% das pessoas não sabe que possui o problema. Ronco, cansaço excessivo e sono não reparador merecem atenção.
Espiritualidade também faz parte da prevenção.
Propósito de vida, conexões humanas, fé e espiritualidade estão associados a melhor qualidade de vida, maior adesão aos tratamentos e melhores desfechos cardiovasculares. Cuidar do coração vai além dos exames e medicamentos.
Vacinação é estratégia de longevidade.
A prevenção de infecções reduz hospitalizações, complicações e eventos cardiovasculares. Manter a carteira vacinal atualizada é uma medida simples, segura e eficaz para proteger a saúde.
Anabolizantes não são inofensivos.
O uso de doses suprafisiológicas pode causar hipertensão arterial, arritmias, trombose, infarto, insuficiência cardíaca e morte súbita. A aparência de saúde nem sempre reflete um coração saudável.
A prevenção cardiovascular começa na infância.
O infarto que acontece aos 50 anos muitas vezes começa décadas antes. Educação em saúde, incentivo à atividade física, alimentação saudável, controle do peso, do sono e da pressão arterial devem fazer parte do cuidado das crianças. Investir na saúde infantil é uma das estratégias mais poderosas para reduzir doenças cardiovasculares no futuro.
Saio deste congresso ainda mais convencida de que a medicina do futuro será cada vez mais preventiva, personalizada e humana. O melhor tratamento para as doenças cardiovasculares continua sendo evitar que elas aconteçam.














