Quando os sinais são mais sutis
Durante muito tempo, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi estudado principalmente em meninos. Como consequência, muitas mulheres cresceram sem receber um diagnóstico, mesmo convivendo durante anos com dificuldades que impactavam sua qualidade de vida.
Nas mulheres, os sinais costumam ser mais discretos. É comum que consigam observar e imitar comportamentos sociais, desenvolvendo estratégias para “se encaixar” nos diferentes ambientes. Esse esforço constante, conhecido como camuflagem social (masking), pode esconder características do autismo, mas frequentemente resulta em cansaço intenso, ansiedade, sobrecarga emocional e sensação de nunca pertencer completamente aos grupos.
Outros sinais podem incluir sensibilidade aumentada a sons, cheiros, texturas ou luzes; necessidade de rotina; interesses específicos e intensos; dificuldade em compreender regras sociais implícitas; exaustão após interações sociais e histórico de sentimentos de inadequação desde a infância. Muitas mulheres também recebem, antes do diagnóstico de TEA, diagnósticos como ansiedade, depressão ou TDAH.
Receber um diagnóstico na vida adulta não muda quem a pessoa é, mas pode transformar a maneira como ela compreende sua própria história. O diagnóstico tardio favorece a autodescoberta, reduz sentimentos de culpa, possibilita intervenções mais direcionadas e contribui para o desenvolvimento de estratégias que promovam maior qualidade de vida.
Se você se identificou com essas características ou percebe esses sinais em alguém próximo, procure uma avaliação realizada por um psicólogo habilitado em avaliação neuropsicológica e, quando necessário, por uma equipe multiprofissional. Uma avaliação cuidadosa, baseada em evidências científicas, é fundamental para diferenciar o TEA de outras condições e oferecer o direcionamento mais adequado para cada caso.
Autoconhecimento também é cuidado. Buscar respostas pode ser o primeiro passo para viver com mais compreensão, acolhimento e qualidade de vida.
Alessandra Procópio Moreira
Psicóloga e Neuropsicóloga
CPR 08/41553
Especialista em transtornos neurodivergentes














