Carta à Democracia

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Em 7 de setembro próximo, o Brasil comemorará 200 anos da independência de Portugal. O povo deveria estar feliz e programar grande festa cívica, porque o país, em 2011, chegou a ser a 6ª economia do mundo. Entretanto, vive-se um momento de extremo perigo à normalidade democrática e visível desacato às instituições e ao resultado das eleições de outubro. O preço da liberdade é a eterna vigilância.

A Democracia é um regime no qual o poder emana do povo. As pessoas que defendem o contrário, que a atacam, têm pouca visão histórica, política, econômica e social. Esquecem-se de que nos regimes fascista de Mussolini e nazista de Hitler se baseou no “mito”, desprezo à democracia, manipulação da verdade, uso de propaganda enganosa, repressão aos adversários, militarização da sociedade e busca de inimigos imaginários.

 A carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito a ser lançada e lido nas cercanias da USP, em 11 de agosto próximo, é quase réplica da lida pelo doutor Godoffredo da Silva Telles, professor da USP em 8 de agosto de 1977, no pátio da Faculdade de Direito da USP, a favor da democracia brasileira que vivia em plena ditadura.

 A nova carta significa que a sociedade civil, representando várias categorias sociais, está empenhada em defender a Democracia. Participam empresários, profissionais do mercado financeiro, FIESP, FENABRAN, Academia Paulista de Letras, professores, intelectuais, artistas, e cidadãos conscientes da realidade econômica e social brasileira que não desejam o retrocesso da sociedade brasileira aos moldes da ditadura militar.

Bolsonaro, em uma live, disse que esse evento é apenas uma cartinha, mas está enganado: é uma cartada! A carta não é endosso à candidatura de ninguém; é uma grande manifestação pelas instituições democráticas. Já são 500 mil assinaturas e espera-se atingir 1milhão. Entre milhares, destacam-se, inclusive, Anita, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia.

Sabe-se que não se pode contar com a maioria dos partidos políticos nem com o Congresso, então, sociedade civil, opinião pública e imprensa livre juntas podem atuar para amainar ataques infundados, sem provas, onde se questiona a lisura do Estado de Direito e do processo eleitoral. São intolerantes às ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e à incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.

 Assinar a carta é não ficar neutro em situações de injustiça e não escolher o lado do opressor. A História do Brasil cobrará desta geração a covardia de não se posicionar contra a ameaça de nova possibilidade da ditadura, omissão diante da destruição da democracia e desapreço pela Constituição de 1988! Ninguém entenderá como alguém sem qualificação assumiu a presidência do Brasil, que nunca trabalhou e enganou milhões de brasileiros! O Brasil deve lutar por verdade, democracia, justiça e bem comum!

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