Mais uma vez, o sonho do hexa ficou pelo caminho. Durante meses, milhões de brasileiros imaginaram a comemoração, a taça levantada e a alegria de ver a seleção campeã. Quando o resultado foi diferente do esperado, vieram a tristeza, a decepção e a sensação de que algo importante havia sido perdido.
Mas essa frustração vai muito além do futebol.
No dia a dia, fazemos isso o tempo todo! Criamos expectativas sobre como a vida deveria acontecer. Esperamos que o relacionamento seja perfeito, que os filhos correspondam aos nossos planos, que a carreira evolua no tempo desejado ou que nossos esforços sejam sempre recompensados. Quando a realidade segue outro caminho, sentimos frustração, ansiedade e, muitas vezes, desânimo.
O problema não está em sonhar. Sonhos nos impulsionam e dão sentido às nossas escolhas. A dificuldade surge quando transformamos expectativas em certezas, acreditando que existe apenas um resultado possível. Quando isso acontece, qualquer desvio do plano pode ser interpretado como um fracasso.
Na Psicologia, compreendemos que grande parte do sofrimento emocional nasce da diferença entre aquilo que esperamos e aquilo que realmente acontece. Quanto mais rígidas forem nossas expectativas, maior tende a ser o impacto das frustrações.
Vivemos em uma sociedade que valoriza resultados, sucesso e perfeição. As redes sociais reforçam a impressão de que todos estão felizes, realizados e vencendo. Com isso, acabamos acreditando que perder, errar ou recomeçar é sinal de incapacidade. Mas não é.
A derrota da seleção nos lembra que nem tudo está sob nosso controle. Assim como no esporte, a vida também envolve imprevistos, desafios e resultados diferentes daqueles que desejávamos. Isso não diminui nosso valor nem invalida o caminho percorrido.
Desenvolver saúde mental também significa aprender a lidar com as frustrações de forma mais flexível. É reconhecer que nem sempre teremos o controle sobre os acontecimentos, mas sempre poderemos escolher como responder a eles. A resiliência nasce justamente dessa capacidade de se adaptar, aprender e seguir em frente, mesmo quando os planos mudam.
Talvez o maior aprendizado não esteja apenas nas conquistas, mas na forma como enfrentamos as derrotas. Afinal, são elas que nos ensinam sobre paciência, humildade e perseverança.
Que a perda do hexa sirva como um convite à reflexão: quantas vezes sofremos mais pelas expectativas que criamos do que pela realidade em si? Quando aprendemos a viver o presente, aceitando que nem tudo acontecerá como planejamos, encontramos um caminho mais leve e saudável para seguir em frente.
Alessandra Procópio Moreira
Neuropsicóloga
CRP 08/41553
Especialista em Avaliação psicológica/neuropsicológica e transtornos do Neurodesenvolvimento














