Medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Além da perda de peso expressiva, estudos demonstraram benefícios cardiovasculares importantes, incluindo redução do risco de infarto, AVC e mortalidade em pacientes selecionados. No entanto, como toda terapia amplamente utilizada, novos efeitos adversos raros continuam sendo investigados.
Recentemente, chamou atenção a possível associação entre esses medicamentos e a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION), uma condição rara popularmente conhecida como “AVC ocular”. A doença ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, podendo causar perda súbita, indolor e, em alguns casos, permanente da visão.
Os sinais surgiram a partir de estudos observacionais e bancos de dados de farmacovigilância, especialmente envolvendo a semaglutida. Entretanto, é importante destacar que ainda não existe comprovação definitiva de relação causal. Muitos usuários desses medicamentos já apresentam fatores de risco para NAION, como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia e doença cardiovascular, o que dificulta determinar se o risco decorre do medicamento ou das próprias condições clínicas.
Até o momento, o risco absoluto parece ser muito baixo. Especialistas ressaltam que os benefícios metabólicos e cardiovasculares dos agonistas do GLP-1 continuam superando amplamente os riscos conhecidos para a maioria dos pacientes.
Apesar disso, médicos e pacientes devem permanecer atentos a sintomas visuais de alerta, como perda súbita da visão, áreas escuras no campo visual ou embaçamento visual agudo. Nesses casos, a avaliação oftalmológica imediata é fundamental.
A medicina está em constante evolução, e a vigilância de eventos raros faz parte do processo de garantir tratamentos cada vez mais seguros. O desafio atual é equilibrar inovação terapêutica com monitoramento cuidadoso, sempre baseado nas melhores evidências científicas disponíveis.














