João Pimenta

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Como foi minha cirurgia no coração
(continuação)
Como eu ia dizendo semana passada…
Quem caiu na gargalhada foi minha esposa, depois da pergunta que fiz aos médicos: – vocês estão rindo só porque me viram pelado, né? Fiquei na UTI por dois dias. De manhã cedo chegava uma fisioterapeuta e queria porque queria que eu descesse da cama para fazer exercícios. Na verdade era só mexer os pés e as mãos, sentado em uma poltrona, e dar uma pedalada em um pedal que colocavam no chão. Na manhã do primeiro dia eu cheguei a reclamar bem rabugento. Falei para a fisioterapeuta que ela deveria esperar eu tomar o café. – Quem é que faz exercício antes do café? Indaguei. Na verdade eu odiava aquela fisioterapia. As profissionais eram queridas, mas o fato de ter que sair do leito sentindo um monte de dores e todo amarrado por aparelhos me incomodava. Na manhã do segundo dia, para a minha felicidade, veio outra enfermeira toda querida, com uma cadeira de rodas e disse: – vamos pro quarto, seu Rodrigo? Mas foi num pulo que sentei naquela cadeira. Chegando no quarto, tinha mais seis pessoas nos outros leitos. Ao meu lado direito um senhor que também tinha feito a mesma cirurgia que eu. Pensei: – assim podemos compartilhar as mesmas dores. À minha esquerda tinha um senhor que havia sofrido um AVC. À minha frente tinha um menino com quatorze anos, que havia tido apendicite aguda. Ao lado do menino, um senhor que havia passado por uma cirurgia na coluna. Confesso que não lembro quem era o outros paciente, talvez porque era mais quietão. O que importa é que logo fiz amizade com os dois senhores aos meus lados e seus familiares. E começamos a prosear.
Falávamos de tudo, futebol, política, religião, sociedade. O bom de estar no mesmo hospital em que eu nasci, é que os assuntos eram familiares. O engraçado foi perguntarem meu time. No Rio Grande do Sul, ou você é gremista, ou é colorado. No fim, só eu e o menininho éramos colorados, perdendo de vareio para os gremistas. O engraçado da primeira noite veio de madrugada mesmo. O senhor à minha esquerda estava acompanhado pelo seu filho, um homem de quase dois metros de altura, com apelido que vou dar o nome fictício de “Palanque”. Por volta das quatro da manhã, aquele senhor começou: – Palanque, quero sentar. O filho, sonolento, só dizia ao pai que não era hora para sentar. Mas o vovô ficou uma meia hora chamando o filho.
“Palanque, deixa eu sentar só um pouquinho”. Tanto fez o pai, que o filho uma hora levantou-se já visivelmente incomodado e pegou o pai nos braços, com todo o carinho e jeito que um pai pegaria o filho nos braços e o sentou. – Ta contente agora? – Agora eu to. E eu meio dormindo e meio acordado, mas não teve jeito, o vovozinho começou a prosear, adivinha com quem? Humildão do jeito que sou, dei trela ao vovô! (continua na próxima edição)

Atenção: esta coluna é escrita e editada pelo jornalista Rodrigo Kohl Ribeiro MTB: 18.933, de sua inteira e irrestrita responsabilidade. Qualquer sugestão ou crítica, pode ser enviada para o e-mail joaopimentadepalmas@gmail.com ou pelo
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