Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório: “Meu filho esquece tudo. Será que ele tem TDAH?”.
Embora o esquecimento seja uma queixa comum, ele nem sempre indica um transtorno. O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis pela atenção, memória, organização e autocontrole. Por isso, alguns esquecimentos são esperados na infância.
No entanto, quando as dificuldades são frequentes e começam a prejudicar a vida escolar, familiar e social, é importante investigar suas causas.
Distração ou algo mais?
Sono inadequado, ansiedade, mudanças na rotina, preocupações emocionais e excesso de estímulos podem reduzir temporariamente a atenção da criança. Nesses casos, o comportamento costuma melhorar quando a causa é identificada e corrigida.
O impacto das telas
O uso excessivo de celulares, tablets e videogames pode prejudicar a atenção, a memória e a capacidade de concentração. Além disso, está associado a alterações no sono, aumento da impulsividade e dificuldades de autorregulação emocional.
É importante destacar que as telas não causam TDAH, mas podem intensificar dificuldades já existentes ou produzir comportamentos semelhantes.
Quando pode ser TDAH?
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas persistentes de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade.
Alguns sinais incluem:
*esquecer frequentemente materiais e compromissos;
*perder objetos com facilidade;
*dificuldade para seguir instruções;
*cometer erros por descuido;
*dificuldade para organizar tarefas e rotina.
Para o diagnóstico, os sintomas precisam estar presentes em diferentes ambientes, persistir por pelo menos seis meses e causar prejuízos significativos.
Como os pais podem ajudar?
Algumas atitudes favorecem o desenvolvimento da atenção e da memória:
*manter uma rotina organizada;
* garantir boas horas de sono;
*limitar o tempo de telas;
*incentivar brincadeiras e leitura;
*utilizar lembretes visuais;
*valorizar os progressos da criança.
Nem todo esquecimento é TDAH. Observar, acolher e buscar orientação profissional quando necessário é o melhor caminho para promover um desenvolvimento saudável.
Alessandra Procópio Moreira
Neuropsicóloga
CRP 08/41553
Especialista em Avaliação psicológica/neuropsicológica e transtornos do Neurodesenvolvimento














