NEOLIBERALISMO LEVA A ARGENTINA AO CAOS

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Na Argentina, a crise econômica estourou em 1975, onde se tentou conter a inflação através de choque neoliberal. Os argentinos foram reduzidos à pobreza enquanto os serviços sociais eram cortados e a indústria era privatizada. A dívida argentina aumentou cinco vezes à medida em que o FMI e outras instituições financeiras encorajavam mais países a assumir dívidas externas. A desindustrialização nos anos 1990 enfraqueceu a economia, tornando a Argentina completamente dependente do mercado global e submissa à economia neoliberal. Hoje, o país vizinho ainda sofre consequências da crise de 2008, cujos efeitos parecem ser incapazes de se recuperar.

O Presidente Macri escolheu a política neoliberal com submissão ao mercado global e ao conservadorismo. Os resultados têm sido desastrosos. Em 2018, a inflação bateu seu nível mais alto e as taxas de juro absolutamente punitivas apenas têm aproximado a nação de uma recessão absurda. O povo argentino resistente ao neoliberalismo mobilizou a classe trabalhadora. A piora em condições de vida dos cidadãos, desindustrialização e desemprego desencadearam protestos e greves. Os professores têm sido uma força no comando das greves.

A chegada de Mauricio Macri e seu projeto de extremo liberalismo não têm lastro para gerar desenvolvimento, levando o país a quase 60% de inflação nos últimos 12 meses, e um dólar a valer 59,43 pesos. O reflexo devastador levou a destruição da condição de vida da população com a privatização das empresas e dolarização de tarifas com aviltamento da renda. Diante do forte contraste entre desenvolvimentismo e recessão, os argentinos, mais uma vez, mostraram a coragem de resistir, de tomar as ruas, uma vez por semana, condenando o neoliberalismo, que leva a população à pobreza extrema.

O governo argentino anunciou, no mês passado, que deixará de pagar as dívidas de curto prazo na data aprazada, que está na ordem de US$ 15,5 bilhões e, suas reservas internacionais líquidas são de US$ 13 bilhões. Esse sinal de “calote” terá contágio em todos os países emergentes. Isso pode levar à desorganização da cadeia de valor entre Brasil e Argentina. Vale lembrar que o total das exportações brasileiras a eles é de 5%, e os embarques ao setor industrial chega a 20%. A taxa de pobreza argentina é de 32%, totalizando 13 milhões de pessoas.

A política neoliberal que a Argentina utiliza não funciona e o Brasil está indo no mesmo caminho: não funcionou com FHC e nem funcionará com Bolsonaro. O Brasil trilha os mesmos caminhos do desastre argentino.

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