O que se aprende com os impeachments do Collor e da Dilma?

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Em entrevista à Agência Reuters, 9 de fevereiro, Fernando Segovia afirmou que a tendência é o arquivamento da investigação contra o Presidente Michel Temer. De acordo com o chefe da Polícia Federal, até o momento, não foram angariadas provas sobre o pagamento de propina por parte da empresa Rodrimar para Temer no caso na prorrogação de contratos no Porto de Santos. Delegados da Polícia Federal criticaram a entrevista e a possível investigação interna contra o delegado do caso Cleyber Malta Lopes. O Delegado Malta enviou questionamentos a Temer que, segundo a defesa emedebista, colocam em dúvida a honorabilidade e a dignidade pessoal do presidente. O Ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Barroso cobrou explicações: quer saber se Segovia opinou sobre inquérito ainda não concluído, inclusive ameaçando de sanções o delegado responsável que deve ter autonomia para desenvolver o seu trabalho com isenção e livre de pressões.

A repercussão da entrevista foi terrível e causou um mal-estar em todo Brasil, colocando a PF em situação delicada. Recentemente, Fernando Segovia foi levado à direção geral daquele órgão por indicação de Michel Temer e, inclusive, se reuniu com Temer há poucos dias, sem registro na agenda do Planalto – ainda o povo estava se acostumando com o arquivamento no STF do Senador Romero Jucá num processo de desvio de recursos por combinação de prescrições com falta de provas. A investigação se arrastava há 14 anos, levando a prescrições e, mesmo assim, tenha se mostrado inconclusivo, determinando o arquivamento. É terrível que o então Ministro Joaquim Barbosa segurou o processo por 8 meses e Gilmar Mendes por cinco anos e um mês. Dois fatos são estarrecedores: Michel Temer está envolvido em diversos problemas de falcatruas e é inocentado por seu indicado, Fernando Segovia, para inocentá-lo sem que os delegados da PF tivessem concluído o processo, e o Supremo Tribunal Federal está protegendo o Presidente do Senado Romero Jucá.

Existem problemas que têm causado auxílios-moradia aos juízes no Brasil. Recentemente, Sérgio Moro afirmou que o auxílio-moradia é uma forma de complementar a renda devido à falta de ajuste salarial. O juiz foi flagrado por um guarda avançando sinal vermelho que o parou, e justificou-se que a infração cometida compensava a má conservação das estradas. Outro fato é que um hacker entrou no computador do juiz e encontrou centenas de filmes piratas. Dois dos três desembarcadores federais do Tribunal Regional Federal da 4ª Região recebem auxílio-moradia mesmo possuindo imóvel na cidade em que residem, Porto Alegre. No Brasil, 18 mil juízes deixam de pagar cerca de R$ 30 milhões por mês de Imposto de Renda graças à isenção tributária dos auxílios moradia, alimentação e saúde. Estima-se que essa renúncia fiscal alcance R$ 360 milhões por ano.

Então, com o impeachment de Collor, erroneamente, acreditou-se que a corrupção no Brasil seria abolida; com o da Dilma, pensava-se que, ao menos por enquanto, os políticos e outros aprenderiam que não se deve cometer falcatruas. Temer estava envolvido com o ex-Deputado Federal Rodrigo Rocha Loures, preso após ser gravado com mala de dinheiro da JBS; e acusado de receber propina por parte da empresa Rodrimar para favorecer a prorrogação de contratos no Porto de Santos. Falcatruas de Aécio Neves e juízes colocando-se sobre os demais cidadãos mostram a face que também querem levar vantagens são exemplos péssimos à sociedade carente de honestidade de quem a representa. Na prática ninguém aprendeu nada com os impeachments.

Fonte: Edmundo Pozes da Silva