Palmense se destaca no vôlei e vai para os EUA

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A atleta palmense de voleibol Maria Julia Vedovatto Loureiro, 17 anos, está vivendo algo que muitos jovens sonham: jogar vôlei e estudar nos EUA. Filha de Maria Aparecida Loureiro e José Augusto Loureiro, Maju, como é conhecida pelos amigos, arrumou as malas e em 2019 desembarcou em Springfield, Estados Unidos, onde vai conciliar estudos e esporte durante os próximos 4 anos na Universidade de Missouri.

Os Estados Unidos têm longa tradição na linha de educação e esporte, e as universidades do país oferecem várias modalidades aos acadêmicos que queiram aliar prática esportiva em alto nível sem deixar de lado a formação educacional.

Para conseguir uma bolsa integral na universidade americana por meio do esporte, a palmense Maju contou com uma Agência especializada, mas ela teve que cumprir alguns requisitos básicos: nível de inglês intermediário, habilidade esportiva de destaque e bom histórico escolar.

O Sudoeste Esportes conversou com a Maria Julia que contou detalhes desde quando iniciou na modalidade. Confira a íntegra da entrevista, abaixo:

S.E. – Maria Julia, é um prazer conversar com você. Primeiramente para que nossos leitores te conheçam melhor, nos conte como foi seu início no voleibol até a sua chegada ao Clube Curitibano?

Maria Julia: Eu comecei jogar vôlei com 9 anos de idade no Colégio HBC. Desde pequena tive muita influência de minha família, mãe, pai, irmãos que já jogavam, desta forma segui também no esporte. Eu adorei o voleibol, mas já pratiquei futsal, natação e basquete, entretanto o que eu mais me identifiquei foi mesmo o vôlei. Em 2015, através do professor Enéas Araújo, consegui uma bolsa de estudos e me transferi para o Colégio Bom Jesus. No final do ano, graças as redes sociais, minha amiga viu uma postagem de uma seletiva que aconteceria no Clube Curitibano, nós fomos juntas para Curitiba e no final acabamos sendo selecionadas.

Em 2016, ganhei uma bolsa no Colégio Expoente e fui morar na capital para jogar e estudar. O ano de 2016 foi incrível, teve muitos campeonatos importantes. Nós ganhamos o estadual sub-18, ficamos em primeiro lugar no estadual sub-17, mas o que mais me marcou foi o Jogos Escolares, ficamos campeões no regional, seguimos para o brasileiro em João Pessoa-PB e lá conquistamos o 3º lugar.

Outro que marcou foi a Copa Minas em Belo Horizonte, estávamos em sete na equipe, ou seja, não tínhamos como fazer uma substituição sequer, este, sem dúvida, foi o melhor jogo que eu já fiz, nós conseguimos ficar com o título e acabou sendo maravilhoso.

Em 2017-2018, colecionamos o título do estadual, 5º lugar do brasileiro, entre outros que me ajudaram a amadurecer e ter mais responsabilidade, foram três anos em Curitiba que eu cresci muito. Sai de casa com 14 anos, deixar os pais, o aconchego da família não foi nada fácil, especialmente no primeiro ano em 2016.

S.E. – Você também fez parte da Seleção Paranaense. Como se deu sua convocação?

Maria Julia: Sim, fui convocada durante 2 anos para a seleção. Em 2017 foi minha primeira convocação em Marechal, só que neste ano não cheguei a fazer parte do time. Com isso, me dediquei ainda mais nos treinamentos. Em 2018 fui chamada novamente para a seletiva, desta vez acabei fazendo parte do time nos jogos da Divisão A em São José dos Pinhais. Meu período na seleção também foi de muito aprendizado, a troca de experiência valeu muito na minha evolução.

S.E. – Como se deu este convite para um intercâmbio nos EUA?

Maria Julia: Eu recebi este convite quando estava jogando a Taça Paraná em 2017. Um olheiro gostou do meu desempenho e no final da partida foi falar com meu técnico. Eu estava entre as 3 meninas que ele observou. Depois de uma semana o nosso técnico conversou conosco e repassou sobre o interesse do empresário que é dono de uma agência que faz intercâmbio com atletas para fora do Brasil. No começo eu não levei muito à sério, entrei em contato e ele me explicou tudo, mesmo assim, continuei sem muita expectativa, tanto que nem comentei com minha família. Depois de um tempo ele voltou a me procurar, eu comentei com minha mãe de forma despretensiosa, ela gostou, foi atrás da agência e depois de um ano de conversa tudo se concretizou.

S.E. – O idioma te preocupa? Como estão sendo seus primeiros dias e qual o impacto da cultura no seu dia a dia?

Maria Julia: Quando era pequena cheguei a fazer dois anos de inglês. Eu sabia o básico, por isso, em 2018 fiz aula novamente para poder realizar a prova americana do SAT e graças a Deus eu consegui atingir a nota necessária. Já estou aqui há 3 semanas, consigo entender o idioma, porém, não consigo ainda falar muito bem, apesar dessa dificuldade, estou conseguindo me comunicar bem. Com relação a cultura, ela é bem diferente, desde a comida até a questão de limpeza da cidade.

S.E. – O que você já sabe sobre a Universidade de Missouri, principalmente na questão esportiva já que você fará parte da equipe de voleibol da Universidade?

Maria Julia: Bom a Universidade fica em Springfield, em Missouri, apesar da cidade ter cerca de 150 mil habitantes, ela é bem calma, mas é muito frio (risos), semana passada nevou e ontem (dia 01/02) fez dezesseis graus negativos. A Universidade já tem um histórico esportivo, tem times de voleibol, basquete que se destacam aqui nos torneios e Ligas Universitárias.

S.E. – Do que você mais vai sentir falta do Brasil?

Maria Julia: Com certeza da família e dos amigos. Ter alguém do lado, que você conhece e confia, vai fazer falta. E também vou sentir saudades do calorzinho (risos).

S.E. – Quem são seus maiores incentivadores?

Maria Julia: Minha família, sem dúvida. Todos me incentivaram bastante e foram minha inspiração.

S.E. – Quanto tempo dura seu intercâmbio? Tem alguma porcentagem de bolsa?

Maria Julia: São 4 anos, que é o tempo da conclusão do curso da Universidade, mas nesse período eu volto pro Brasil. Minha bolsa é de 100%, contando com alimentação, moradia e transporte.

S.E. – Qual seu maior sonho?

Maria Julia: Atualmente o meu maior sonho é conseguir concluir esses 4 anos com muita dedicação e vitórias, sei que terei muitas dificuldades, mas desejo que todo esse período valha o esforço.

S.E. – Obrigado pela entrevista e deixamos este espaço para você deixar sua mensagem.

Maria Julia: Muito obrigada pelo convite, adorei a entrevista. A minha mensagem é que ninguém nunca desista de seu sonho, eu sei que todo mundo diz isso, mas falando por mim, há 4 anos, eu nunca iria imaginar que chegaria aqui. Estava em Palmas, do nada fui para Curitiba e 3 anos depois estar nos Estados Unidos. Foi uma reviravolta muito grande e eu ainda não consigo acreditar que tudo isso está acontecendo na minha vida. Por isso digo, se vocês tem algum sonho lutem sempre, corram atrás que tudo dará certo. Um beijão e muito obrigada.

Fonte: Sudoeste Esportes