Burnout: quando o corpo e a mente pedem socorro
Cansaço constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de estar sempre sobrecarregado e perda de interesse pelo trabalho. Esses sintomas podem parecer apenas consequência de uma rotina corrida, mas também podem ser sinais da síndrome de burnout.
O burnout está relacionado ao estresse crônico no ambiente de trabalho, especialmente quando existe uma combinação de excesso de demandas, poucas pausas, cobrança constante, falta de reconhecimento e dificuldade de separar a vida profissional da pessoal. Com o tempo, o organismo deixa de conseguir se recuperar adequadamente.
Além do esgotamento emocional, podem surgir alterações do sono, dores de cabeça, tensão muscular, palpitações, desconfortos gastrointestinais, ansiedade e queda no rendimento. Algumas pessoas passam a se sentir mais impacientes, pessimistas ou emocionalmente distantes do próprio trabalho.
O coração também pode sofrer os efeitos de uma rotina de estresse prolongado. A liberação frequente de hormônios como adrenalina e cortisol pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, prejudicar o sono e favorecer hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo e maior consumo de álcool. Em pessoas que já apresentam fatores de risco cardiovascular, esse cenário merece ainda mais atenção.
Prevenir o burnout não significa simplesmente “aguentar menos”. Significa reconhecer limites. Sono adequado, atividade física, momentos de lazer, alimentação equilibrada, pausas durante o dia e limites claros entre trabalho e descanso são importantes para a recuperação física e mental.
Quando o cansaço não melhora com o descanso ou começa a interferir na saúde, nos relacionamentos e na capacidade de trabalhar, é importante procurar avaliação profissional. Muitas vezes, cuidar da saúde começa justamente quando entendemos que produtividade não pode existir às custas do próprio bem-estar.

Setembro Amarelo
Quando cuidar de si também é valorizar a vida
Falar sobre o Setembro Amarelo é falar sobre vida. É lembrar que, por trás de cada pessoa, existe uma história que nem sempre conhecemos e sentimentos que muitas vezes permanecem escondidos.
Vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza a produtividade, a força e a capacidade de dar conta de tudo. Precisamos trabalhar, cuidar da família, cumprir responsabilidades, atender expectativas e, muitas vezes, fazemos tudo isso sem perceber o quanto estamos emocionalmente sobrecarregados.
A sobrecarga emocional não acontece de um dia para o outro. Ela pode surgir aos poucos: no cansaço constante, na irritabilidade, na dificuldade para dormir, na falta de prazer pelas coisas que antes faziam sentido, na sensação de estar sempre no limite ou de não conseguir mais lidar com as demandas da vida.
Por isso, cuidar da saúde mental não deve ser uma atitude tomada somente quando chegamos ao nosso limite. Precisamos aprender a reconhecer nossos sinais, respeitar nossas necessidades e compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
Valorizar a vida também significa permitir-se pausar. Significa reconhecer que nem todos os dias serão bons, que não precisamos resolver tudo sozinhos e que algumas fases da vida exigem acolhimento e suporte.
Também precisamos aprender a olhar para o outro. Às vezes, uma pergunta simples como “Como você realmente está?”, feita com disponibilidade genuína para ouvir, pode abrir espaço para alguém falar sobre aquilo que estava guardando em silêncio.
Prevenção também é presença. É construir relações mais acolhedoras, reduzir julgamentos e criar espaços onde as pessoas possam expressar suas dores sem medo de serem consideradas fracas ou exageradas.
Neste Setembro Amarelo, o convite é para olharmos para a vida com mais cuidado a nossa e a de quem está ao nosso lado. Porque valorizar a vida não significa apenas celebrar os dias felizes. Significa também oferecer acolhimento nos dias difíceis.
Cuidar da mente é cuidar da vida. E pedir ajuda pode ser um importante passo para continuar.
Se você estiver enfrentando sofrimento emocional intenso ou pensando em tirar a própria vida, procure ajuda profissional ou um serviço de emergência. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Alessandra Procópio Moreira
CRP 08/41553
Psicóloga e Neuropsicóloga
Contato (46) 92001-9598




















