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quinta-feira,27 agosto,2026
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Pesquisa ou roteiro eleitoral?

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Inventaram um método novo por aqui: pergunta-se ao eleitor em quem ele votaria, lista-se alguns nomes e esquece-se de um. Sem querer, claro. Aí o levantamento sai, os números rodam nos grupos, o comentário pega, e o eleitor acaba convencido de que a disputa é só entre aqueles ali. Acontece que fotografia é questão de enquadramento. E quem estava com a câmera na mão?

Pesquisa divulgada ao público tem regra. Precisa de registro na Justiça Eleitoral e de um punhado de informações que permitam entender como o retrato foi feito: metodologia, período, amostra, quem contratou, quem assina. Fica faltando responder quem escolheu os nomes da lista. A ausência de um candidato não prova manipulação nenhuma, é verdade. Mas produz um efeito bem conveniente para alguém. Nome que não aparece vira nome que não existe, e boa parte do eleitorado conclui sozinha que aquele ali não é competitivo, não é conhecido, não vale o voto.

Daí a distância entre medir a realidade e ajudar a construí-la fica fina demais para o meu gosto. Pesquisa serve para descobrir o que o eleitor pensa, não para ensiná-lo a pensar. Enquete não é urna, e lista não é candidatura. No frigir dos ovos, esse levantamento talvez diga pouco sobre as urnas e bastante sobre quem escreveu o roteiro antes de perguntar ao público como a história terminaria.